Nos últimos anos, nomes como Ozempic, Wegovy e Mounjaro deixaram de ser restritos aos consultórios médicos e passaram a ocupar manchetes, redes sociais e conversas nas academias. As chamadas “canetas emagrecedoras” prometem perda de peso significativa, controle do apetite e até benefícios para o coração.
Mas afinal, essas medicações são seguras? Elas realmente fazem bem ao sistema cardiovascular?
Vamos entender o que a ciência já sabe — e o que ainda está sendo descoberto.
O que são as canetas emagrecedoras?
Esses medicamentos são versões sintéticas de hormônios intestinais — principalmente GLP-1 e GIP — que regulam o apetite, o açúcar no sangue e o processo digestivo.
O Ozempic e o Wegovy contém semaglutida; o Mounjaro utiliza tirzepatida, que atua em dois receptores (GIP e GLP-1).
Ambos são aplicados semanalmente por via subcutânea. Eles reduzem o apetite, retardam o esvaziamento do estômago e melhoram a utilização da glicose pelo organismo.
O resultado? Menos fome, maior saciedade e, consequentemente, emagrecimento significativo — muitas vezes acima de 10% do peso corporal em poucos meses.
E o coração, como fica?
Essa é a grande questão. O excesso de peso é um dos principais fatores de risco para hipertensão, infarto e AVC. Portanto, perder peso de forma eficaz já traz benefícios diretos para o coração.
Mas as novas pesquisas mostram que as canetas vão além do emagrecimento: elas podem proteger o sistema cardiovascular.
Um estudo recente chamado SELECT, com mais de 17 mil pessoas com obesidade, mostrou que a semaglutida reduziu em 20% o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e derrame — mesmo em pessoas sem diabetes.
É a primeira vez que um medicamento voltado ao emagrecimento demonstra um benefício dessa magnitude.
E quanto ao Mounjaro?
Seu princípio ativo, a tirzepatida, ainda está sendo avaliado em estudos de longo prazo. Dados preliminares mostram melhora na pressão arterial, no colesterol e na função cardíaca, especialmente em pessoas com diabetes ou insuficiência cardíaca. Mesmo assim, os especialistas destacam: os resultados são animadores, mas ainda não conclusivos.
Quais são os riscos?
Nenhum medicamento é isento de efeitos colaterais. Os mais comuns das canetas emagrecedoras incluem náuseas, diarreia, azia e constipação — geralmente leves e transitórios.
Casos mais raros envolvem pancreatite, cálculo na vesícula e desidratação.
Há também pesquisas analisando possíveis alterações de humor e risco de ideação suicida, mas ainda sem comprovação direta.
É fundamental lembrar que essas medicações não devem ser usadas para fins estéticos rápidos nem sem acompanhamento médico. O uso inadequado, sem avaliação individual, pode trazer mais riscos do que benefícios.
Quem pode usar?
As canetas são indicadas para pessoas com:
- Obesidade (IMC ≥ 30);
• Sobrepeso (IMC ≥ 27) associado a doenças como diabetes tipo 2, hipertensão ou a apneia do sono.
Elas não são recomendadas para gestantes, lactantes ou indivíduos com histórico de câncer de tireoide, pancreatite ou uso de medicamentos incompatíveis.
Somente um médico pode avaliar a segurança e a indicação para cada caso.
O segredo do sucesso: tratamento, não milagre
É essencial compreender: as canetas não fazem o trabalho sozinhas.
A perda de peso saudável e duradoura depende de mudanças no estilo de vida — alimentação equilibrada, atividade física regular, sono adequado e acompanhamento multidisciplinar.
Muitos especialistas alertam que interromper o uso sem ajustes pode levar à recuperação parcial do peso, o chamado “efeito sanfona”.
Por isso, o medicamento deve ser visto como parte de um tratamento contínuo, não como solução mágica.
Vale a pena?
Quando prescritas corretamente e acompanhadas de perto, as canetas emagrecedoras podem ser aliadas valiosas no controle do peso e na proteção cardiovascular.
Mas o entusiasmo precisa vir acompanhado de responsabilidade e informação.
Antes de iniciar o tratamento, converse com seu médico.
Pergunte sobre benefícios, riscos e alternativas.
E lembre-se: a melhor versão de você começa quando estética e saúde caminham juntas.
Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; The New England Journal of Medicine – estudos SELECT e SURPASS-CVOT.